domingo, 24 de julho de 2011

Teoria de Curriculo

As diferentes concepções sobre o currículo têm influenciado, em diferentes níveis, a constituição do campo curricular brasileiro. Necessidade de ampliar as reflexões sobre esse campo, especialmente quando se têm em perspectiva novas formas de gestão da escola. Tendo em vista a relevante contribuição de Antônio Flávio Barbosa Moreira para esse debate, propomos a leitura.
O currículo entendido como processo de interação de todas as práticas e reflexões que marcam os processos educativos, são notórias e disseminadas nos vários momentos da vida que embasa as relações de educadores e educando permeadas pela conquista do conhecimento e pelo processo de ensino aprendizagem.
A leitura do mundo e a leitura da palavra e o conhecimento elaborado e o cientifico. O homem é um ser de relações que estando no mundo é capaz de projetar-se, de discernir, de conhecer e de perceber a dimensão histórica e criadora da cultura.
Encontra-se a idéia de que os conteúdos programáticos, as metodologias utilizadas e os fundamentos que alicerçam a construção curricular, entre outros devem estar contextualizados e influenciados pela cultura e pelas experiências de vida dos atores educacionais que estão envolvidos nessa construção, a saber: educando, educadores, gestores, coordenadores, técnicos, funcionários, pais e comunidade escolar locar.
O direito ao conhecimento em um país marcado pela exclusão social.
De outro prisma, Freire destaca os direitos (culturais) das camadas populares ao conhecimento em três direções:
1. O direito de conhecer o que não conhecem, ou seja, o direito de se apropriar do conhecimento que lhe foi negado e apropriado pelas camadas dirigentes dominantes da sociedade;
2. O direito de conhecer melhor o que já possuem proveniente das experiências feitas, do cotidiano, do mundo e da vida.
3. O direito de construímos o seu próprio conhecimento, a partir dos seus valores, interesses, práticas e da sua própria cultura.
A construção curricular poderia ter outros rumos e seria repensada a partir dos interesses, dos valores, da cultura e do conhecimento dos sujeitos fundamentais dos processos educativos, educando, educadores, coordenadores, gestores, pais, enfim a comunidade escolar local, sem esquecer que a reinvenção curricular deve ser permeada pelos direitos ao conhecimento possuído pelas camada populares de nossa sociedade.
Objeto de conhecimento mediação entre o educador e o educando.
A questão do conhecimento e da aprendizagem como processo de mediação das relações educador e educando. O objeto de conhecimento mediaria o processo dialógico e, dessa ótica, a construção do currículo não deveria ser uma doação dos supostos detentores exclusivos do conhecimento elaborado escolar, mas um instrumento da ação dialógica de todos os atores, sujeitos escolares, que têm o direito de escolher, de optar, de refletir, de opinar e de ajudar a construir o currículo. O currículo não pertence exclusivamente aos dirigentes escolares, os professores, devem pertencer aos educando, pois estes devem ser chamados a construí-lo e a problematizá-lo, não simplesmente, a aplicá-lo ou a consumi-lo.
A construção democrática do currículo e a ação dialógica como pedagogia na reeducação do educador.
Para Freire a construção democrática do currículo, a partir da própria idéia força de que essa construção deve ser coletiva e envolver todos os protagonistas do processo educativo. A necessidade de reeducar os educadores para ser permeada a participação e pelo compromisso social, político e cultural, pelas conquistas das competências e das habilidades técnicas e o compromisso progressivos da reinvenção curricular em todos os níveis da educação. Reeducar a própria prática reflexiva de construir e reconstruir o currículo junto a comunidade escolar responsável pelo processo educativo.
O educador deve ser um inventor e um reinventor constante dos meios e dos caminhos com os quais facilite mais e mais a problematização do objeto a ser desvelado e finalmente aprendido pelos educando. Sua tarefa não é a de se servir desses meios e desses caminhos para desnudar, ele mesmo, o objeto e, depois entregá-lo, paternalisticamente, aos educando, a quem negasse o esforço da busca indispensável ao ato de conhecer. (Freire – 1980, p.17)
A construção do currículo, alicerçada pelo conhecimento facilitaria a prática e a reflexão sobre os conteúdos e as metodologias e a abriria a possibilidade concreta e ganhasse criticidade e qualidade da reeducação coletiva que faz a educação e a escola.
As relações homem mundo com as palavras, os conceitos e as metodologias constituiriam a base fundamental de um currículo humanizado e progressista a fim de contribuir com as mudanças sociais e educacionais, necessárias para a inclusão qualificada e critica.
Cotidiano, trabalho e saber da experiência feita como um dos pilares da construção curricular. O sentimento de pertencimento em relação ao conhecimento, à construção do currículo e à sua aplicação coletiva pode vir a ser detonador (individual e coletivo) de um sentimento mais amplo de pertencimento em relação ao processo educativo ou à escola. Em outras palavras, se educando e educadores, pais e dirigentes técnicos e comunidade escolar local em geral, sentirem que o processo de conhecimento e de educação.
Nesse sentido, parece-nos correto afirmar que o currículo torna-se critico e reflexivo quanto mais pertencer aos principais protagonistas educacionais escolares.
Gestão e autonomia curricular na escola pública.
A gestão democrática e a autonomia escolar educativa constituem em outros os principais alicerces dessa reinvenção. A gestão educacional pensada e concretizada por todos os que fazem os processos inclusos do Conselho de Escola, professores, alunos, coordenadores, técnicos, funcionários, comunidade escolar local podem instituir uma nova escola dentro dos princípios da educação, buscando criar e recriar novos caminhos do ensino aprendizagem
É a conquista de autonomia do processo educativo no próprio sentido amplo do currículo, isto é, tudo que integra e permeia precisa ser gestado coletivo e democrático para garantir a participação e obter a contribuição critica e reflexiva de todos, ou pelo menos, da grande parte dos que fazem o processo educativo. Se for correto pensar que todo currículo deve ser permeado por conteúdos e metodologias gerais e fundamentais (inclusive pela legislação educacional) com o exercício do direito de participar dele, interferir e adentrar nele, sugeri-lo, modificá-lo, e reinventá-lo com base na prática e na reflexão do processo educativo.
Constata-se que nunca foi possível viver e sobreviver sem aquisição de conhecimento sistemático numa sociedade determinada por pessoas que dominam o letramento básico e uma escolarização continuada.
Nesse sentido, os analfabetismos aumentaram em quantidade e em qualidade e temos hoje, vários analfabetismos: o absoluto, o funcional, o digital, o político. Além de ter quase certeza da continuidade de uma série de disparidades entre grupos sociais e os indivíduos, enfim impedir de negar o direito de homens e das mulheres de serem mais humanos através da educação. Muito mais do que há algumas décadas, a sociedade atual impõe barreiras aos processos de conquista da cidadania por parte não-letrados e dos não escolarizados.
Por não resolver questões tão fundamentais como essas, a sociedade brasileira para andar em círculos, como se a historia insistisse em se repetir.
A solidariedade ao coletivismo o dialoga como pedagogia, o respeito às diferenças, a valorização do saber, a democracia e ética, a criticidade docente e uma proposta pedagógica de educação.

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